
Você já quis chorar até morrer? Já passou a mão pelo corpo procurando se reconhecer, ou terminou a noite com a cara suja de vomito em um banheiro imundo de um boteco qualquer? Já sentiu vontade de se cortar e ver seu sangue saindo apenas para ter certeza que está vivo?Já tentou gritar e não pode ouvir sua voz? Ou ficou tão deslumbrado com os planos pro futuro que se esqueceu do presente? Já criou mundos e portas apenas pra fugir da sua realidade? Já se dopou com vários comprimidos de anti-depressivos só por não lidar com sua própria dor?Ou melhor... Já agrediu alguém pra se sentir melhor? Já sentiu medo do escuro estando com todas as luzes acesas? Já escondeu segredos tão bem escondidos que fez questão de escondê-los até de você mesmo?...”Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira” alguém uma vez cantou.
Já amou desesperadamente alguém que nunca existiu e a viu ir embora de repente?Viu seus pedaços descendo pelo ralo do banheiro e seus restos jogados, misturados junto ao lixo embrulhados em um papel higiênico colorido?
Já se apegou a lembranças pra não ver o passado simplismente sumir diante dos seus olhos? Já esteve rodeado de gente e mesmo assim soube que estava sozinho? Já implorou a Deus para que algo fosse inesquecível e depois quis esquecer? Já teve certeza que estava doente e precisava se tratar para não morrer e mesmo assim não fez nada?
Eu já... Eu já fiz tudo isso.
Já beijei a boca da morte e a mandei embora depois. Já pedi que ela ficasse ao meu lado e velasse meu sonho.
Já olhei os rostos dos meus amigos e vi, que eles nada mais eram além de sombras passeando em um vale perdido, e acordei assustada ouvindo as risadas dos demônios que me cercava. Peguei meu terço, juntei as mãos e comecei a oração até lembrar que não sabia rezar.
Criei meus mundos e me escondi neles. Uma dose de vodka, livros e fixas de rpg sobre a mesa, uma interpretação tão impecável que eu chegava a pensar que aquela filha da puta que eu fazia não era um personagem, e sim eu mesma como eu era.
Já passei noites em claro olhando a janela, sabendo que ele estava ali e ninguém mais o via e que ele esperava a hora de me levar junto.
Já estive no hospital, mas todas as pessoas que diziam me amar estavam ocupadas de mais para segurar minha mão enquanto eu estava assustada.
Já estive no inferno, e nem precisei sair do meu quarto para isso. Apenas entrei em minha mente, deixei que todas as vozes que sempre falam e falam na minha cabeça se fizessem entender.
As vozes não pararam mais... E uma hora uma delas me convence que as coisas más que dizem é o certo a ser feito.
Pintei meu rosto com tinta guache como minhas verdades... Tudo se foi com a água e eu tive que encarar o rosto limpo e as mentiras criadas.
As mentiras... O rosto limpo... As verdades... O rosto sujo...
O barulho de alguém na porta, a respiração ao meu lado. Ninguém está aqui alem de mim e o papel amassado, mas alguém respira... Quer que eu note que ele está aqui.
Eu começo a me perguntar... Quem sou afinal? Quem é ele? Será que perdi de vez o pouco juízo que me restava?
Estou me enganando novamente... A tinta acabou, o sonho também, a realidade é confusa de mais... Só restam as vozes..falando e falando...

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