
Ela estava sentada diante do espelho a observar as grossas lágrimas que caiam de seus olhos. O engraçado é que embora as lágrimas não parassem, ela não sentia vontade de chorar.E embora mantivesse os olhos fixos no espelho não via sua imagem.Nunca estivera tão bela quanto agora. Seus cabelos desgrenhados estavam soltos e caiam pelo ombro e face, grudando no suor e lágrimas. Sua boca redonda estava apertada e parecia só um traço vermelho-esbranquissado no rosto branco.Os olhos pequenos estavam opacos e brilhantes ao mesmo tempo.Era um desperdício não poder se ver naquele momento...era a imagem perfeita de um anjo derrotado que fora enganado por um demônio qualquer. Havia visto o paraíso nos olhos mentirosos deste demonio de cabelos negros e voz envolvente. Havia encontrado o paraiso no inferno de seus braços e acorrentado sua alma a dele. E agora se sentia vazia pois o demônio de aparência angelical havia voado e levado junto de si tudo o que havia nela.Era apenas uma casca...E por mas que tentasse odiá-lo sentia apenas o vazio domina-la. Tentou gritar, e seu grito veio rouco e irritante, oque a fez se assustar.Queria gritar mas alto, queria mata-lo, queria fazer com que todas aquelas vozes que falavam em sua cabeça ficassem mudas. Gritou novamente, mas desta vez a voz não saiu, e o silencio que dominou todo o lugar era ensurdecedor. Sabia que em outra sala, diante de outro espelho aquele demonio podia ve-la, senti-la claramente como ela mesmo não era capaz de fazer.Assistia um assassinato e era a própria morte que via. Se sentia imponente...acreditara naquele que a abraçava forte e fazia acreditar que tudo de ruim estava longe....naquele que a olhava de uma forma tão terna e doce que ninguem nunca a havia olhado igual. Ela sentiu o calor dele envolve-la e neste momento não sabia se o vazio que sentia era dele ou dela.Em sua cabeça fashes de um passado distante se misturavam com um nem tão distante assim.Sabia que as visões também se misturavam na cabeça dele. O que havia acontecido com a eternidade? Ela sabia que mesmo se o odiasse não o deixaria de amar, não por que era pra ser assim, mas simplesmente por que era assim. "Quem pode amar, a mim e a você, com a mesma intensidade que nos amamos se não nós mesmos?" Pela primeira vez em horas ela desviou os olhos do espelho e ao olhar para o chão, viu seu coração quebrado em pedaços tão pequenos que nunca ninguem seria capaz de juntar novamente. Estranhamente, do outro lado do espelho o coração dele também estava despedaçado. Jogos dão errado, deu errado para ambos, mas vamos com calma...ela sabe onde pisa. Os fatos que antes não faziam sentido agora se encaixavam perfeitamente e o vazio e a angustia foram substituídos por um sentimento sem nome certo. Ela se levantou tremula, e se sentindo fraca caminhou até o banheiro ..."me espere, vou tomar banho com você" .Riu sozinha. Deixou que a água quente caiísse em sua cabeça.Se recompôs. Acabara de ver o que aconteceu. No outro lado do espelho ele havia deixado de senti-la...Era cortara de vez qualquer ligação que havia entre eles...

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